Antes mesmo da publicação dos editais do Acordo de Repactuação, associações comunitárias do território de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Chopotó já começaram a fazer o dever de casa. Na terça-feira (14), associações de Florestinha, Santana do Deserto e Jorge se reuniram para discutir ideias, alinhar demandas e transformar necessidades antigas em projetos.

A movimentação não parte do acaso. É estratégia. Com apoio técnico do Centro Rosa Fortini e parceria com profissionais ligados à Universidade Federal de Viçosa (UFV) e à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as associações, cooperativas e coletivos estão se organizando para chegar prontas quando as inscrições forem abertas.
Camarão e artesanato
Na Comunidade Florestinha, a Associação dos Pescadores e Faiscadores Tradicionais Grupo Florestinha (APEFF) aposta em duas frentes que misturam inovação e tradição: a criação de camarão em água doce e o artesanato com materiais recicláveis.
Segundo Rosane Gomides (Rose), membra da APEFF, a proposta é compartilhar o conhecimento com os demais associados, desenvolver a criação de camarão e transformar a atividade em uma fonte de geração de renda. “A gente gosta de aprender e se der certo, nós queremos dar o exemplo”, disse ela durante a conversa.

Sede e Sustento
Em Santana do Deserto, as mulheres quitandeiras da Associação Comunitária Rural vivem um cenário de desafios que vai além da produção. O principal deles é a situação da sede da associação, hoje com estrutura comprometida. Segundo o grupo, a Prefeitura de Rio Doce já iniciou a construção de um novo espaço, mas o tempo de conclusão ainda é uma incerteza para quem depende da atividade como complemento de renda.

Diante disso, as quitandeiras pensam à frente. A ideia é garantir uma nova sede com condições adequadas de funcionamento e autonomia, inclusive com o uso de energia solar. A meta também é ampliar a comercialização, buscando mercado nas cidades vizinhas à Rio Doce e fortalecendo a geração de renda das famílias envolvidas.

Base e Produção
Na Comunidade Jorge, o ponto de partida é estrutural. A Associação Comunitária Rural do Jorge (ACORJE) discute a requalificação da sede e a regularização do terreno, um passo necessário para dar segurança ao que vem depois. A proposta é transformar o espaço em um centro multiuso, capaz de abrigar diferentes atividades da comunidade.
Também entrou na pauta o fortalecimento da produção agrícola, com foco no uso de adubos orgânicos e no acesso à assistência técnica. A instalação de placas solares também entrou nas discussões em Jorge como alternativa para reduzir custos e ampliar a autonomia no campo.
De olho no que vem
Com os editais ainda a serem publicados, o momento é de preparação. A expectativa é que as iniciativas coletivas, já estruturadas, consigam acessar os recursos e transformar ideias em ações concretas nas comunidades.
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Texto: Mariana Duarte/ ASCOM Rosa Fortini

