Seminário de Recuperação Ambiental mobiliza centenas de pessoas da Bacia do Rio Doce

O município de Rio Doce recebeu, no dia 25 de setembro, a 1ª edição do Seminário de Recuperação Ambiental da Bacia do Rio Doce. O evento, promovido pela Assessoria Técnica Independente (ATI) Rosa Fortini, teve como objetivo fortalecer a participação das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão nas discussões sobre o futuro ambiental do Lago de Candonga e de outras regiões atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015.

Seminário de Recuperação Ambiental aconteceu no município de Rio Doce: Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini

Participação popular

Cerca de 300 pessoas participaram do encontro, representando os municípios de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado, Chopotó (Ponte Nova) e outros territórios ao longo da bacia. A presença expressiva demonstrou o interesse da população em acompanhar de perto os debates sobre as medidas necessárias para a recuperação socioambiental da região, mesmo após 10 anos do desastre sociotecnológico.

Geraldo Felipe dos Santos (Tuzinho), em sua fala de abertura, destacou a importância do seminário para as comunidades: “Este encontro é importante porque reafirma a luta e o direito das comunidades de serem ouvidas e de participarem das decisões que dizem respeito ao nosso território e ao nosso futuro”, afirmou.

Geraldo Felipe dos Santos (Tuzinho). Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini

Dona Dejanira da Silva Rocha, de Rio Doce, uma das anciãs das comunidades tradicionais, também se pronunciou, reforçando a necessidade de ação imediata na recuperação do rio: “Nós queremos um rio limpo. A Samarco vai ter que tirar o rejeito, porque ela matou o rio. O rio está morto, mas ela vai ter que reviver o nosso rio”, disse durante a abertura do seminário.

Dona Dejanira da Silva Rocha. Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini

Vozes da bacia

Pessoas atingidas de outras regiões da Bacia do Rio Doce também participaram ativamente do seminário, trazendo relatos, questionamentos e sugestões que enriqueceram as discussões. A presença desses representantes reforçou a importância do debate coletivo e garantiu que diferentes realidades fossem consideradas na construção das decisões sobre a recuperação ambiental.

Roberto Antônio Luz, do Assentamento Primeiro de Junho, no Território 5 (Galileia e Tumiritinga), foi um dos participantes de outros territórios. Ele realizou uma mística com objetos ligados à agricultura, pesca e faiscação e, durante seu discurso, questionou: “E hoje, o que está sobrando para nós, agricultores da agricultura familiar? Para os ribeirinhos? Para as pessoas que vivem próximas ao rio?”

Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini

Defesa do rio

Além de destacar a troca de experiências entre as comunidades, o encontro fortaleceu a mobilização social em torno da defesa do rio Doce e de seus afluentes. Os participantes relataram os danos do desastre ambiental em suas vidas, reforçando a importância de ações coletivas para a recuperação do território.

“O seminário foi bom, porque estamos debatendo o rejeito, e o rejeito não pode ficar. As pessoas sofreram muito com a chegada dele. A nossa renda vinha do peixe: a gente pescava, vendia e pagava a conta de luz, comprava roupa… Acabou tudo. O plantio também: tudo que você planta não dá nada, está tudo poluído”, Nádia Maria Costa, moradora de Chopotó (distrito de Ponte Nova).


✍? Texto: Mariana Duarte e Thalita de Oliveira (Ascom Rosa Fortini)

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