Matadouro marca início da construção do Protocolo de Consulta com faiscadores tradicionais

Na noite desta quarta-feira (30), moradores da comunidade Matadouro, em Rio Doce (MG), se reuniram com a equipe do Centro Rosa Fortini para compartilhar memórias, falar sobre o modo de vida local e dar os primeiros passos para a construção do Protocolo de Consulta Prévia, Livre e Informada (PCPLI).

Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

Durante o encontro, os moradores foram convidados a compartilhar suas histórias e lembrar como as famílias viviam no passado. A relação com os rios Doce e do Carmo apareceu como um dos principais elementos dessas memórias. A região é marcada pelo encontro dos dois rios, que, ao longo das gerações, estiveram presentes na construção da história e do modo de vida da comunidade.

“A nossa sobrevivência foi toda em função do rio”, disse uma moradora durante a conversa. A frase resume a importância do Rio Doce na vida de gerações que encontraram em suas águas parte do sustento e do modo de vida.

O rio e a identidade das famílias

A relação com o Rio do Carmo também se mistura à identidade das famílias. Um dos moradores destacou uma ligação tão profunda que chega ao próprio sobrenome. “As pessoas até perguntam se o nosso sobrenome veio primeiro do rio ou se nosso sobrenome foi para o rio”, contou.

Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

Trabalho e sustento

As memórias dos moradores mostram que a vida em Matadouro foi construída em torno da pesca, da faiscação, da agricultura e do trabalho na Fazenda Porto Alegre. Muitas famílias cultivavam milho, feijão e café pelo sistema de meia e dependiam da produção para garantir o sustento.

Segundo os relatos, o ouro obtido com a faiscação era levado para casa para ser lavado, usando o carumbé, nome de origem indígena dado ao instrumento utilizado nesse processo.

Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

Fé, encontros e histórias 

A religiosidade e a convivência entre as famílias também ocupam espaço importante nas lembranças. Festas, novenas, procissões e encontros entre vizinhos faziam parte da vida da comunidade.

A Capela Nossa Senhora do Carmo é um dos símbolos dessa história. O terreno foi doado e a construção nasceu de um desejo das famílias. 

Outro registro importante é o livro mantido pelos moradores, que reúne relatos sobre a formação de Matadouro e a trajetória das famílias que ajudaram a construir a comunidade.

Memórias ajudam a construir o Protocolo

As histórias compartilhadas durante o encontro foram reunidas em um mural, formando uma espécie de linha do tempo da comunidade. Cada elemento ajudou a revelar diferentes aspectos da vida e da história de Matadouro.

A partir dessas memórias, o grupo também começou a discutir os próximos passos. Os moradores manifestaram interesse em continuar na construção do Protocolo de Consulta e concordaram que outras localidades da região participem das próximas etapas.

Ao final, exemplos de Protocolos de Consulta construídos por outros povos e comunidades tradicionais ajudaram os moradores a conhecer diferentes formas de conduzir esse processo. O caminho começa pelas próprias histórias, memórias e formas de organização da comunidade.

Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

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