Em Mariana (MG), famílias atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão voltaram a ocupar o centro das discussões sobre o futuro dos territórios rurais atingidos. O anúncio de R$ 1,3 bilhão em investimentos do Novo Acordo do Rio Doce e a assinatura da continuidade de projetos de Assessoria Técnica Independente (ATI) foram recebidos como sinais de que a reconstrução da vida no campo pode ganhar novos caminhos.

Os recursos serão aplicados em ações voltadas à agricultura familiar, recuperação produtiva, regularização fundiária e ambiental, além do fortalecimento de cooperativas e incentivo à produção agroecológica em 49 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Para muitas pessoas atingidas, o anúncio representa o reconhecimento de demandas construídas ao longo de anos de mobilização.
“Isso é retorno da luta dos atingidos. O governo reconheceu as necessidades de todas essas medidas para os trabalhadores rurais, os agricultores, os produtores rurais. Que eles possam conseguir uma vida melhor ou igual a antes. Só quem mora no território sabe”, afirmou Maria da Penha Rocha, de Santa Cruz do Escalvado, integrante do Conselho Federal de Participação Social do Rio Doce.
Mudanças em construção nos territórios
Entre as atividades previstas estão assistência técnica, implantação de sistemas agroflorestais, apoio à agroindustrialização e fortalecimento de cooperativas. No discurso oficial, as medidas buscam ampliar renda e reconstruir formas de vida atingidas pela destruição provocada pelo rompimento da barragem.

Mas, entre os próprios atingidos, o impacto ainda é visto como um processo em aberto, especialmente para quem teve o trabalho diretamente afetado.
Geraldo Marcelo (Ladinho), faiscador de Rio Doce e presidente da Associação dos Faiscadores de Rio Doce, lembra que o rompimento não atingiu apenas a renda imediata, mas toda uma forma de relação com a terra e com o trabalho construído ao longo de gerações.
“Os faiscadores, garimpeiros e pescadores foram muito prejudicados, mas hoje parece que estão tendo alternativas. A gente espera que cumpram. Achei que a gente vai ter um ganho futuramente”, disse.
No encerramento do evento, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, afirmou que os investimentos integram um esforço de reconstrução econômica e ambiental nos territórios atingidos, destacando a parceria com as comunidades no processo de retomada. “Estamos, junto com as pessoas, escrevendo uma nova história para a Bacia”, disse a ministra.

Além da assinatura do pacote, a ministra e a presidenta da Anater, Loroana Santana, também assinaram dois novos contratos com o Centro Alternativo de Formação Popular Rosa Fortini para prestação de serviços de Assessoria Técnica Independente (ATI) nos territórios atingidos.
Os contratos vão atender comunidades atingidas dos municípios de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Ponte Nova/MG e também as comunidades tradicionais faiscadoras desses municípios.
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Texto: Mariana Duarte (Ascom Rosa Fortini)



