Representando as comunidades tradicionais de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Chopotó, Geraldo Felipe dos Santos (Tuzinho) e Antônio Áureo do Carmo participaram do 1º Encontro Mineiro de Povos Originários, Comunidades Tradicionais e Populações Vulneráveis às Mudanças Climáticas, realizado nos dias 7 e 8 de novembro, em Caeté (MG).

Promovido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), o evento reuniu saberes ancestrais e resultou na elaboração de um relatório técnico que servirá de base para novas políticas públicas de adaptação climática em Minas Gerais.
Troca de saberes
A atividade reuniu lideranças indígenas, quilombolas, de matriz africana e representantes de comunidades tradicionais. Nas falas, ganharam destaque os saberes sobre o uso equilibrado dos recursos naturais, a preservação ambiental e os modos de vida em harmonia com os ciclos da natureza.
Seu Tuzinho, de Santa Cruz do Escalvado, destacou que o modo de vida das comunidades de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado está profundamente ligado ao rio e reúne diferentes ofícios e saberes tradicionais.
“Nosso modo de vida é diverso, cheio de saberes que vêm do convívio com o rio Doce. Mas tudo isso foi profundamente afetado pelo rompimento da barragem. Sofremos danos permanentes e, dez anos depois, ainda convivemos com milhões de metros cúbicos de rejeito acumulados no lago de Candonga, bem ao lado das nossas comunidades”, disse.
Antônio Áureo, de Rio Doce, pontuou sobre os reflexos do rompimento da barragem de Fundão sobre a cultura e as tradições locais.
“O rompimento da barragem de Fundão comprometeu a transmissão dos nossos saberes e das práticas da faiscação. Há mais de vinte anos, nossa comunidade sofre com as violações causadas pela mineração [referindo-se a instalação da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves e ao rompimento da barragem de Fundão]. Por isso, o diálogo com a CEPCT-MG foi tão importante — ele garantiu o reconhecimento da nossa identidade como comunidade tradicional”, afirmou.
Essas e outras vivências compartilhadas pelos participantes foram essenciais para a construção do relatório técnico.
O que o relatório traz
Assinado por cerca de 42 representantes dessas comunidades, o relatório final traz oito diretrizes para Minas Gerais enfrentar as mudanças climáticas. Entre as principais propostas estão:
- proteção dos territórios das comunidades tradicionais;
- valorização dos saberes populares nas decisões ambientais;
- apoio à agricultura tradicional e à saúde comunitária;
- mecanismos permanentes de participação social nos processos de adaptação.
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Texto: Mariana Duarte (Ascom Rosa Fortini)



