Fé e tradição marcam o Jubileu de Sant’Ana do Deserto de 2026

Existem eventos que pontuam o calendário, outros que ficam gravados na memória. É o caso do Jubileu de Sant’Ana, celebração que, há gerações, transforma Santana do Deserto, em Rio Doce, em um grande ponto de encontro para fiéis, moradores e visitantes. Em 2026, a celebração que aconteceu entre 17 e 26 de julho, reuniu romeiros de diferentes municípios, famílias que retornaram às suas origens e moradores que mantêm viva uma tradição.

Ao longo dos dez dias de festa, a programação incluiu caminhadas de fé, missas, procissões e celebrações coletivas, reforçando o Jubileu como um dos principais eventos religiosos e culturais da região. 

Foto: Mariana Duarte (Ascom Rosa Fortini)

O sábado (25) concentrou alguns dos momentos mais aguardados pelos fiéis. A chegada do quadro de Sant’Ana ao Santuário marcou uma das cerimônias mais simbólicas da programação, seguida da bênção à família do Sr. Silvério Miranda, responsável pela guarda da imagem durante o último ano. A data também contou com a recepção e a bênção de cavaleiros de Ponte Nova, a celebração da missa e o tradicional levantamento do mastro com a imagem da padroeira, ritual que anuncia a proximidade da grande festa.

Foto: Mariana Duarte (Ascom Rosa Fortini)

O ponto alto das comemorações aconteceu no domingo (26), data dedicada a Sant’Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo na tradição católica. Por essa razão, o dia também é celebrado como o Dia dos Avós, tornando a festa ainda mais significativa para as famílias.

Desde as primeiras horas da manhã, centenas de romeiros passaram pelo Santuário para participar das missas, tocar os pés da imagem de Sant’Ana em um gesto de fé e gratidão. Após as celebrações religiosas, o clima de confraternização tomou conta da comunidade. Parentes, amigos e visitantes se reencontraram para compartilhar refeições, conversar e celebrar juntos, em um ambiente onde a devoção caminhava lado a lado com a convivência comunitária. 

Infraestrutura ainda é desafio 

Prestes a completar quase três séculos de história, moradores alertam para desafios que ainda precisam ser enfrentados para garantir a continuidade do Jubileu de Sant’Ana do Deserto. Entre as principais demandas está a criação de um estacionamento adequado para receber os visitantes com mais organização.

“Essa festa tem 287 anos e é uma festa tradicional, uma festa religiosa muito bonita. Se a comunidade não tomar providências, nossa festa vai acabar. Precisamos de um bom estacionamento. Isso faz muita falta para a comunidade”, afirma o morador Raimundo Luís. 

Comunidades unidas pela fé 

A história do Jubileu de Sant’Ana do Deserto também é construída pela participação de comunidades vizinhas. Há décadas, moradores da comunidade do Jorge mantêm uma tradição de colaboração com a celebração que une as duas localidades. 

“Desde 1971, nossa comunidade participa da celebração. Desde o dia da passeata, oferecemos verduras e leite para os padres. Somos comunidades irmãs. Essa festa é muito importante para nós, católicos. A gente não pode deixar essa tradição sair da família”, conta Geraldo de Campos (Dadinho) morador da Comunidade Jorge.

Fé, memória e resistência 

Em um território marcado por profundas transformações e pelos desdobramentos do rompimento da barragem de Fundão, celebrar Sant’Ana também é um ato de resistência. Enquanto tantas mudanças alteraram a rotina das famílias, o Jubileu permanece como um elo entre passado e presente, ajudando a preservar a identidade da comunidade.

Foto: Mariana Duarte (Ascom Rosa Fortini)

Mais do que uma celebração religiosa, o Jubileu de Sant’Ana do Deserto fortalece vínculos comunitários, movimenta a economia local, acolhe diferentes gerações e reafirma um sentimento de pertencimento que resiste ao tempo e às adversidades.

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Texto: Mariana Duarte (Ascom Rosa Fortini)

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