Estudantes do 4º e 5º ano da Escola Municipal João Guimarães, localizada no bairro Rasa, em Ponte Nova, assistiram à exibição do filme Filha do Rio na manhã desta sexta-feira (20).
A sessão foi articulada por Juliano, pescador, personagem do filme e ex-aluno da escola. Mantendo vínculo com a comunidade escolar, ele sugeriu ao Centro Rosa Fortini a realização da atividade no local onde estudou. A proposta foi acolhida pela equipe pedagógica e executada nesta semana.

O curta, produzido pelo Centro Rosa Fortini em parceria com a produtora Arepa, marca os 10 anos do rompimento da barragem de Fundão. A obra retrata, pelo olhar de uma menina de 10 anos, a vida, a ancestralidade e a cultura de comunidades tradicionais (de faiscadores e pescadores) atingidas pela lama nos municípios de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Chopotó, em Ponte Nova.
Saberes que correm juntos
Antes da exibição, foi apresentada a atuação da ATI Rosa Fortini, seguida de um diálogo com os estudantes sobre os rios da região. As respostas vieram rápidas: identificaram o rio Piranga, seu encontro que forma o rio Doce e citaram o rio do Carmo como um dos formadores.
O momento revelou o domínio das turmas sobre a geografia local e a conexão com o território. Ao mesmo tempo, expôs uma contradição: mesmo conhecendo os rios, muitos não têm acesso a eles no cotidiano.
Rompimento e seus danos
Na sequência, foi apresentado um panorama sobre o rompimento da barragem e seus impactos ambientais e sociais, destacando a limitação do uso dos rios e os efeitos na vida das comunidades, inclusive para crianças que cresceram sem esse acesso.
Em seguida, Juliano se apresentou aos alunos, retomando seu vínculo com a escola e a comunidade. Ele falou sobre a perda de práticas como a pesca e a faiscação, o resgate cultural que vem realizando e sua participação no filme.

Exibição provoca reflexão
Durante a atividade, os alunos se mostraram atentos e participativos, estabelecendo conexões entre a narrativa do filme e a realidade vivida em suas comunidades.
O repertório das crianças chamou atenção, especialmente pela forma crítica com que abordaram temas como preservação ambiental e os danos causados pelo rompimento de barragens. “Deu até vontade de nascer na época do meu pai”, comentou um estudante do 4º ano.
Escola como território de consciência e transformação
A ação reforça o papel da escola como espaço de formação cidadã, onde o aprendizado vai além dos livros e dialoga com a realidade. Ao levar o cinema para a sala de aula, a atividade amplia horizontes e fortalece o senso crítico dos alunos, que já demonstram consciência sobre os desafios que envolvem o meio ambiente e o futuro dos rios.
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Texto: Mariana Duarte/Ascom Rosa Fortini



