Comunidades atingidas cobram respostas sobre impactos ambientais e sociais durante reunião com Ibama

Moradores e representantes das comissões de atingidos(as) aproveitaram o encontro com representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), realizado no Rio Doce Clube, nesta quinta-feira (5), para apresentar preocupações sobre os impactos ambientais e sociais relacionados aos rejeitos que continuam no Lago de Candonga.

Entre os principais pontos levantados estão:

  • medo de agravamento dos danos ambientais, especialmente em períodos de chuva;
  • preocupação com a saúde da população e relatos de aumento de doenças nas comunidades;
  • impactos econômicos e dificuldades enfrentadas por agricultores e pescadores;
  • desconfiança em relação aos estudos apresentados pela Samarco.

Alguns moradores defenderam a retirada total dos rejeitos, argumentando que a permanência do material no lago pode trazer riscos às comunidades localizadas ao longo do rio. Outros participantes manifestaram receio de que a remoção cause ainda mais impacto ambiental.

A reunião foi realizada no Rio Doce Clube. Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

Período chuvoso

José Marcio Lazarini (Marcinho), membro da Comissão de Atingidos(as) de Rio Doce e do Conselho Federal de Participação Social, foi um dos que demonstrou preocupação com os possíveis impactos da manutenção dos rejeitos no lago, principalmente em períodos de chuva.

“Quem mais sofre são as comunidades que estão abaixo do rio. Sou contrário à permanência desses rejeitos no Lago de Candonga”, declarou.

José Marcio Lazarini (Marcinho). Foto: Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini

Saúde da população

Renata Nazareno, também demonstrou preocupação com possíveis impactos na saúde da população atingida. “Estamos preocupados com a saúde das pessoas. O número de casos de câncer parece ter aumentado, mas ainda não existem estudos científicos conclusivos sobre isso. Queremos saber se há previsão para a conclusão desses estudos”, afirmou a membra da Comissão de Atingidos(as) de Santa Cruz do Escalvado e Chopotó.

Renata Nazareno. Foto: Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini

Impactos na renda

Célio Martins Pinto, produtor rural de Santa Cruz do Escalvado disse que muitos moradores se sentem abandonados e demonstrou preocupação com escoamento da produção de quem ainda trabalha com a terra.

“A Samarco não está preocupada com os atingidos. Nós estamos abandonados. Não temos estradas para escoar a produção agrícola e não recebemos nenhum benefício”, afirmou.

Próximos passos

O Ibama afirmou que a decisão sobre retirar ou manter os rejeitos no lago não será tomada de forma imediata e dependerá dos estudos técnicos que ainda serão elaborados.

Segundo representantes do órgão, o objetivo é reunir informações suficientes para avaliar os impactos ambientais, sociais e econômicos de cada alternativa.

Até lá, o processo seguirá com novas análises técnicas e com a realização de reuniões e consultas públicas com as comunidades atingidas.

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Texto: Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini

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