A retirada de rejeitos do Lago de Candonga se tornou uma pauta urgente das pessoas atingidas após a reunião pública realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na noite desta terça-feira (31), em Rio Doce (MG).

Reunidos na quadra poliesportiva da cidade, o encontro contou com a presença de atingidos de diferentes municípios atingidos da bacia do rio Doce. O espaço foi marcado por manifestações firmes, com relatos que reforçam o cansaço e a urgência por uma solução definitiva.
Em diversas falas, pessoas atingidas deixaram claro que querem ver o lago livre da lama deixada após o rompimento da barragem de Fundão.
“Esse rejeito tem que ser retirado e, onde for depositado, a área precisa ser reflorestada. Então, a solução é colocar esse material em cavas que já existem na região”, sugeriu Fernando Carvalho, da comunidade Pedra do Escalvado.

Críticas e preocupações
Durante a reunião, críticas também foram direcionadas às propostas apresentadas sobre como lidar com os rejeitos. “Vocês estão focados apenas em uma linha. Não têm plano B, C ou D. Estão falando sempre em desaguagem. É o pior método que existe”, disse Marcos Martins, membro da Comissão de Atingidos(as) de Santa Cruz do Escalvado e membro da Instância Mineira de Participação Social.
Pessoas atingidas alertaram ainda que a solução pode acabar gerando novos impactos ambientais. “Nós temos dois lados de uma mesma moeda. De um lado, a lama no Lago de Candonga; do outro, a retirada desse rejeito e o envio para o solo da Fazenda Floresta. Será que vocês fizeram estudos para saber se esse solo pode receber essa lama? Porque a gente está vendo que o nosso lençol freático vai ser afetado”, disse disse Juventina Avelina do Território 02 (Parque Estadual do Rio Doce e sua Zona de Amortecimento).

Estudo necessário
Ao cobrar mais informações sobre os impactos ainda não mensurados, moradores defenderam a realização de estudos mais amplos na região. O tema foi abordado por José Márcio Lazarini, membro da Comissão de Atingidos(as) de Rio Doce e do Conselho Federal de Participação Social.
Ele defendeu a necessidade de um estudo etnoambiental na região. “É um estudo que vai mostrar todos os impactos na fauna, na flora, nos peixes e também nas pessoas que podem ter entrado naquela água”, pontuou.

Beira do lago
Moradores que vivem às margens do Lago de Candonga também cobraram diálogo direto com as empresas e os órgãos responsáveis, diante das dificuldades no dia a dia.
“Eu moro na beira do lago e estou reivindicando que a Samarco faça uma reunião com a gente, com o Ibama junto, para discutir a beira do lago. Porque tem sedimento na água, como que nós vamos plantar e vender para quem?”, questionou Márcio Martins, que tem uma propriedade às margens do lago, em Santa Cruz do Escalvado.
Próximos passos
A reunião pública de ontem faz parte de uma consulta conduzida pelo Ibama para ouvir a população sobre o que deve ser feito com os rejeitos que ainda estão no Lago de Candonga.

As contribuições apresentadas pela população vão ajudar na construção de um Termo de Referência. Esse documento vai orientar os estudos técnicos que vão definir o que será feito com os rejeitos no Lago de Candonga.
Na prática, o Termo de Referência funciona como um guia. Ele indica quais análises precisam ser feitas e quais caminhos podem ser seguidos. A expectativa é que, com a participação popular, o processo avance com mais transparência e traga respostas concretas para as pessoas atingidas.
Presença
Além de representantes do Ibama, da Samarco e da empresa de consultoria AECOM, a reunião contou com a presença das Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) Rosa Fortini, Cáritas Diocesana de Itabira e Centro de Agroecologia Tamanduá (CAT). Também participaram membros do Conselho Federal de Participação Social e o prefeito de Rio Doce, Silvério D’Aluz.

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Texto: Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini



