Troca de experiências entre as Comissões de Atingidos

Publicado em: 19/12/2018

Integrantes das Comissões de Santa Cruz do Escalvado/Chopotó e de Rio Doce participaram, dia 8 de dezembro, de um Encontro de Formação que teve como objetivo capacitar os atingidos, além da troca de experiências entre os mesmos, proporcionar reciclagem sobre o papel das comissões e ajustar cronograma de trabalho com a assessoria técnica.

Conduzidos pela coordenadora e assistente social, Grasiele Costa Santos Fortini, e Domingos Araújo Lima, Coordenador Jurídico do Centro, o evento foi desenvolvido durante todo o dia, com estudos, trabalhos de grupos e apresentações dos membros das Comissões.

Antônio Celso Souza Junior, de Santa Cruz do Escalvado

“Temos que pensar sempre no coletivo. O rompimento da barragem de Fundão mudou toda nossa estrutura ambiental, nosso ecossistema. Não temos mais o lazer no Rio. O movimento de caminhões passou a incomodar as comunidades, trincas apareceram nas casas. Como exemplo, minha casa está em construção. Antes do rompimento eu comprei o metro de areia por R$ 12,00, agora está R$ 80,00, sem o frete. Precisamos pensar no futuro. Será que uma indenização vai pagar isto?”

Maria da Penha Rocha da Conceição, a Penha

“O encontro foi proveitoso, identifiquei, durante as discussões em grupo, pessoas que pensam como eu. Fui entrevistada no PIM, mas não tive condições de mensurar meus prejuízos, pois o desastre ambiental foi muito grande. Posteriormente, tive acesso a um estudo. Ele demonstrava que a recuperação do nosso meio ambiente, do nosso Rio, pode levar até um século. Então eu estava certa quando não quis valorar minhas perdas”.

Geraldo Felipe, Tuzinho

“A comissão deve estar sempre em comunicação com as comunidades e assessoria técnica. Não basta apenas indenização, temos que pensar no futuro de nosso território e para isto precisamos ouvir todas as comunidades”.

José Márcio Lazarini

“Muitas pessoas ainda falam em indenização direta e indireta, mas para mim são todas diretas. O que existe são situações diferentes. Quando a lama chegou ela tirou oportunidades das comunidades, dos pescadores, dos faiscadores, dos produtores rurais e dos comerciantes. Hoje alguns comerciantes estão com uma renda boa. E depois que estas empresas foram embora? Eles vão fechar as portas porque não terá ninguém pra comprar. Temos que buscar nossos direitos. Soberbo é uma lição para nós. Hoje temos que trabalhar com projetos que vão garantir o futuro da população, projetos que vão deixar um legado”.

Viviane Ângelo da Cunha

“A troca de experiências e informações entre as comissões propicia a conscientização dos direitos. Ficou claro, após as discussões em grupo, que precisamos ter sempre união, buscarmos programas que venham nos atender futuramente, e lutar pela recuperação ambiental do nosso Rio. ”

Grasiele Costa Santos Fortini

“Quando a gente lida com conflito, precisamos pensar que estamos num confronto de ideias para chegar num consenso, crescimento, para construir algo de melhor, com qualidade. As comissões conseguiram mudar a história do território, tiveram importantes conquistas e podem ter mais. Vocês contam a história de vida de vocês com propriedade e isto é muito significativo, tem força.”

 

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