Projetos propõem cozinha e agroindústrias comunitárias para fortalecer a capacitação e o empreendedorismo

Cozinha e agroindústrias comunitárias, em comunidades nos municípios de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, podem ganhar um novo significado: tornar-se espaços de aprendizagem, geração de renda, fortalecimento da agricultura familiar e dos vínculos comunitários.

Essa transformação está no centro de alguns projetos apresentados por associações do território ao Edital Rio Doce Participativo e Comunitário (Anexo 6 do Acordo de Repactuação de Rio Doce). As iniciativas preveem desde a implantação de cozinhas comunitárias até a estruturação de agroindústrias voltadas ao processamento de frutas, produção de polpas, biscoitos e outras quitandas, associadas à realização de cursos e atividades que estimulem o empreendedorismo e a autonomia financeiras das(os) moradoras (es).

Foto: Mariana Duarte (Ascom Rosa Fortini)

Um sonho guardado há 18 anos 

Na Comunidade do Viana, em Santa Cruz do Escalvado, a proposta representa a chance de concretizar um sonho. Segundo Carmem Lúcia Nunes, presidente da Associação Comunitária dos Vianas, a ideia nasceu há 18 anos, quando um grupo de 16 mulheres participou de capacitações e visitou a Comunidade da Penha, em Guaraciaba, para conhecer o trabalho desenvolvido pelas quitandeiras da região. Apesar do entusiasmo, a iniciativa não avançou por falta de apoio.

Agora, com a possibilidade de acesso aos recursos do edital, o projeto ganha uma nova oportunidade. “A expectativa é retomar esse sonho, transformando a cozinha comunitária em um espaço para cursos de qualificação voltados às mulheres e também aos homens interessados em aprender”, afirma.

Da cozinha à loja

Para Carmem Lúcia, a expectativa é que, ao longo do primeiro ano, a associação conte com apoio financeiro para desenvolver as atividades e, paralelamente, busque junto ao poder público a construção de um espaço permanente para a comercialização dos produtos.

“Durante um ano, vamos ter um apoio financeiro e, nesse tempo, também vamos correr atrás do poder público para construir um espaço físico onde a gente consiga comercializar os produtos”, explica.

Muito além da capacitação

Embora as propostas tenham características próprias em cada território, todas compartilham o propósito de transformar espaços comunitários de produção de alimentos em ambientes de aprendizagem, fortalecimento produtivo e geração de renda.  

Na Comunidade Jorge, em Rio Doce, a proposta prevê a implantação de uma agroindústria comunitária para processamento de frutas e produção de quitandas, criando um espaço destinado tanto à produção quanto à realização de cursos e capacitações voltadas ao aproveitamento da produção local e à agregação de valor aos alimentos.

Para a moradora da comunidade e presidente da Associação Comunitária Rural do Jorge, Silvana Araújo Cirino, o impacto dessa estrutura vai muito além da geração de renda. Ela acredita que o espaço poderá fortalecer a convivência entre os moradores, incentivar a troca de conhecimentos e ampliar as oportunidades de trabalho para as famílias da comunidade.

Olhar para o futuro 

Silvana defende que as capacitações acompanhem as mudanças nos hábitos alimentares da população. Com o crescimento da procura por produtos mais saudáveis e voltados a pessoas com restrições alimentares, ela vê nesse segmento uma oportunidade para atender a um mercado em expansão.

“É um universo que pouca gente domina. Isso é novo. Acho que seria bom aprender a fazer alimentos nessa linha, com menos corantes, menos açúcares, coisas mais simples e mais saudáveis. 

Para ela, investir nesse tipo de conhecimento significa preparar a comunidade para um futuro em que alimentação, saúde e empreendedorismo caminham lado a lado. “Aprender nunca é demais”, afirma. 

Fim das inscrições 

Nesta quarta-feira (29), termina o prazo para a submissão de projetos ao Edital Rio Doce Participativo e Comunitário. As propostas que contaram com assessoria técnica do Centro Rosa Fortini foram protocoladas até ontem, terça-feira (28). Ao todo, 34 projetos receberam apoio da equipe durante as etapas de elaboração e submissão. Além dessas iniciativas, outras propostas foram construídas e encaminhadas diretamente pelas próprias comunidades. 

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Texto: Mariana Duarte (Ascom Rosa Fortini)

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