Representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da empresa de consultoria AECOM se reuniram nesta quinta-feira (5) com moradores e Comissões de Atingidos dos municípios de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e da comunidade de Chopotó.

O encontro teve como principal tema o destino dos rejeitos acumulados no Lago de Candonga. Segundo a mineradora Samarco, quase 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos ainda estão depositados no local desde o rompimento da barragem de Fundão, em 2015. Na experiência de técnicos locais, seriam cerca de 20 milhões de metros cúbicos de rejeitos acumulados desde o rompimento.
A reunião foi realizada no Rio Doce Clube e reuniu cerca de 100 pessoas. Durante o agenda, moradores e atingidos apresentaram diversas preocupações, principalmente sobre a possibilidade de o rejeito de minério de ferro que permanece no fundo do lago continuar acumulado na área.
Atingidos querem a retirada
Marcos Martins, membro da Comissão de Atingidos(as) de Rio Doce, afirmou que continuará lutando pela retirada dos rejeitos. Ele também citou estudos realizados pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que, segundo ele, indicam a possibilidade de aproveitar esse material do lago.
“Existem estudos da UFOP que mostram que é possível retirar esse material. Por isso, enquanto eu estiver vivo, vou continuar lutando para que esse rejeito seja retirado”, disse.

Ele ainda criticou a forma como os recursos podem ser distribuídos caso os rejeitos não sejam retirados do lago. “Se o rejeito não for retirado, existe a previsão de um dinheiro indenizatório. Mas esse recurso será destinado ao BNDES e aos governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, e não traz nada para os municípios de Santa Cruz e Rio Doce, que são diretamente atingidos”, lembrou.
Atingidos cobram respeito
Renata Nazareno, membro da Comissão de Atingidos(as) de Santa Cruz do Escalvado e Chopotó, questionou a forma como o rejeito de Candonga foi manejado anteriormente e cobrou garantias de que a decisão das comunidades será respeitada.
“Parte do rejeito foi retirada e levada para a Fazenda Floresta, e isso acabou causando ainda mais danos. Como somos comunidades tradicionais, queremos saber: se, na Consulta [direito dos faiscadores], decidirmos pela retirada do rejeito, o Ibama vai respeitar essa decisão?”, perguntou.

Ibama quer novos estudos
O superintendente do Ibama em Minas Gerais, Sérgio Augusto Domingues, o Guto, explicou que o órgão é responsável pelo licenciamento ambiental das atividades de dragagem no lago. Segundo ele, um estudo encaminhado recentemente pela Samarco aponta que a retirada total dos rejeitos do Lago de Candonga poderia levar entre 10 e 20 anos, caso seja utilizada a mesma metodologia usada para remover cerca de 900 mil metros cúbicos de material em operações anteriores.
No entanto, o Ibama avaliou que o estudo apresentado é insuficiente. Por isso, o órgão deve elaborar um Termo de Referência, documento que exige novos estudos científicos e análises técnicas mais detalhadas. O documento está sob consulta pública e a previsão é que ele seja enviado à empresa em maio de 2026.

Além disso, de acordo com o texto do Acordo de Repactuação, a Samarco terá prazo de até 720 dias para apresentar respostas aos estudos exigidos no Termo de Referência.
Preparação para uma audiência pública
A reunião também serviu como preparação para uma audiência pública prevista para 31 março, em Rio Doce, quando o Termo de Referência será apresentado e discutido de forma mais ampla com a população de toda a Bacia do Rio Doce.
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Texto: Mariana Duarte/ Ascom Rosa Fortini


