Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), mudou para sempre a vida de milhares de pessoas. Onze anos depois, o rompimento revelou a dimensão dos danos ambientais e sociais. Foram anos marcados pela mobilização das pessoas atingidas para serem ouvidas, terem seus direitos reconhecidos e participarem das decisões sobre a reparação.

Desde o rompimento, as comunidades se organizaram e se mobilizaram para cobrar respostas das empresas responsáveis e do poder público. Essa trajetória de reivindicações e negociações contribuiu para a assinatura do Acordo de Repactuação, em outubro de 2024 (e homologação em novembro do mesmo ano), que estabeleceu novas medidas, recursos e responsabilidades para a reparação dos danos causados pelo rompimento.
Sua assinatura, no entanto, não encerra a história. A implementação das medidas, o cumprimento dos compromissos e a participação efetiva das pessoas atingidas continuam sendo fundamentais para que a reparação avance.
As marcas que permanecem no Lago de Candonga
O Lago de Candonga, que fica entre os municípios de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, é um dos lugares onde as consequências do rompimento permanecem visíveis. Formado pelo reservatório da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, o lago recebeu parte dos rejeitos que percorreram a bacia após o desastre-crime. Parte desse material ainda está depositado no reservatório, evidenciando os desafios que envolvem a recuperação ambiental da região.
A presença desses rejeitos vai além de uma questão técnica. Ela representa uma das marcas que o rompimento deixou na paisagem.
Uma história que continua sendo escrita
Mais do que um momento de lembrança, os onze anos do rompimento também são uma oportunidade para cobrar o cumprimento dos compromissos assumidos. Porque a reparação não se concretiza apenas com a assinatura de um acordo, mas também com a garantia de direitos, a recuperação dos territórios e o reconhecimento das perdas vividas pelas pessoas atingidas.
A memória dos 11 anos do rompimento não pode se limitar à lembrança do que aconteceu em 2015. É também reafirmar o direito das famílias atingidas de reconstruir suas vidas e seus territórios. Afinal, a história da Bacia do Rio Doce continua e continuará sendo escrita por quem vive nela.



