Atingidos reforçam suas principais demandas na Câmara Técnica de Participação, Diálogo e Controle Social

Publicado em: 22/11/2019

Reunião ocorreu no Espaço Múltiplouso

O Território sediou, nos últimos dias 11 e 12, a 31ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Participação, Diálogo e Controle Social (CT-CPDCS). Além da discussão e deliberação dos itens em pauta, os membros da CT, em companhia dos atingidos (representantes das Comissões), visitaram os setores de Diálogo, do Centro de Informações e Atendimento (CIA) e do Programa de Indenização Mediada (PIM) da Fundação Renova. Eles também foram até ao acampamento dos atingidos, onde os mesmos permanecem em manifestação pacífica contra ao não cumprimento da Deliberação Nª333 há 90 dias. A reunião ocorreu em Rio Doce, no Múltiplo Uso.

Dentre os assuntos tratados, ainda discutem-se a elaboração, por parte da Fundação Renova, dos planos de comunicação para os programas. Como exemplo, o programa 23- Manejo de Rejeito traz uma série de problemas para os moradores dos municípios de Santa Cruz do Escalvado e de Rio Doce. Na maioria das vezes, as obras iniciam sem o conhecimento da comunidade, aumentam consideravelmente o fluxo de veículos pesados nas vias públicas e a poeira doméstica. Os programas 06 (Participação, Diálogo e Controle Social), 35 (Centro de Informações Técnicas- CIT) e 36 (Comunicação Nacional e Internacional) continuam em fase de construção.

Durante as visitas aos setores da Fundação Renova, os membros da CT obtiveram poucas informações dos funcionários da Instituição sob a alegação de não terem autorização para repasse dos assuntos questionados. Foram verificadas, in loco, que algumas recomendações da CT a respeito da melhoria do atendimento nos escritórios locais - Centro de Informações e Atendimento (CIA) e Diálogo- não foram atendidas. As recomendações foram feitas ainda em agosto de 2019.

Também foram observadas algumas situações de desconforto para os atingidos, como a postura inadequada dos profissionais no atendimento, ausência de atendimento acolhedor, de acessibilidade para portadores de necessidades especiais e de clareza nas informações.

“A visita dos membros da Câmara Técnica ao Território foi importante, pois eles constataram, in loco, as denúncias que sempre levamos para as reuniões. Queríamos mostrar que o dia a dia do atingido é outro, que a realidade vivenciada não condiz com as informações que a Renova apresenta durante as reuniões fora do Território. Na verdade, não existe transparência, diálogo, participação, e nem controle social”, ressaltou Maria da Penha Rocha da Conceição, membro da Comissão de Atingidos de Santa Cruz do Escalvado/Chopotó.

No segundo dia de reunião, vários atingidos que estavam no acampamento levaram ao conhecimento dos membros da CT seus principais problemas, suas histórias de vida e os danos provocados pelo processo de reparação.

Airton Mol de Almeida- “Porque a Renova não quita a dívida que causou com o desastre? Ela não está respeitando as decisões das Câmaras Técnicas e do CIF. Quem vai fazer com que ela cumpra as deliberações? Estamos é nas mãos de Deus”.

Henrique Xavier de Castro (Foguinho)- “A Renova é uma instituição sem fins lucrativos. Porque ela investe tanto em marketing? Ela engana, não reponde aos atingidos e aqui no Território não fez nada do que diz nas propagandas. Enquanto isto, tem pessoas se contaminando com a tabela periódica que está no Rio. Ela não divulga resultados dos estudos da água, do pescado. Pessoas de outras regiões desavisadas vem pescar aqui e consomem os peixes”.

Antônio Áureo do Carmo- “A Renova tenta desqualificar os atingidos que integram, tenta transformá-los de vítimas, que de fato somos, para a condição de culpados. Alguns  funcionários da Renova tratam os atingidos com arrogância, como se eles fossem os responsáveis pelos problemas existentes”.

Jaqueline Aparecida da Silva Sousa – “Se a Renova reconhecesse nossa luta, não precisávamos estar a 90 dias na estrada. Estamos correndo atrás dos nossos direitos e temos só “não” como resposta. Que dia a Renova esteve aqui para perguntar sobre a minha história? Nós temos uma história com o Rio e esta história dinheiro nenhum paga. Se um dia a gente precisar tirar água do Rio para beber, o que vamos fazer? Vamos comprar água? Com quê? Queremos apenas ser reconhecidos, o que é de direito”.

Maria da Consolação Paula Pinheiro Soares, Consola- “A Renova não está respeitando as nossas raízes, as nossas culturas. A gente vivia em função do Rio, utilizávamos pedras, areia para construção......o trabalhador rural, quando largava serviço, tinha o peixe para levar para casa. Por toda vida cultivamos na beira do Rio. Muitas pessoas estão no prejuízo sim. Nós não pedimos para estas empresas jogarem lixo aqui. Mataram nosso Rio e ainda estão chamando a gente de aproveitadores. O leito do nosso Rio virou canteiros de obras, está todo recortado, não o reconhecemos mais”.

Hélcio Neves Martins- “Nós perdemos nossa fonte de renda. Quem sabe dos nossos direitos somos nós. Quem viveu aqui, sabe o que o Rio sempre foi para nós, era vida”.

Ronaldo Adriano de Sousa- “Nós temos que provar que somos pescadores e faiscadores. E a Fundação Renova tem que provar o que? Que as mineradoras são inocentes? Que nós somos culpados do Rio estar sujo, cheio de rejeito?”

 

Visita a um dos escritórios da Renova- Centro de Informações e Atendimento

Visita a um dos escritórios da Renova- PIM

Hélcio fala de sua forte relação com o rio Doce

Consola fala sobre as atividades que o rio Doce oferecia

Rone cobra uma postura mais justa por parte da Renova

Airton Mol fala para os membros da CT

Visita ao acampamento dos atingidos

Jaqueline fala sobre a realidade do Território

Henrique Xavier de Castro (Foguinho)



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