No Lago de Candonga, pessoas atingidas realizam ato em memória aos 11 anos do rompimento de Fundão

Pessoas atingidas, lideranças comunitárias, estudantes e representantes de instituições públicas se reuniram, na manhã desta quinta-feira (5), no Mirante do Lago de Candonga, para marcar os onze anos do rompimento da barragem de Fundão e chamar a atenção para os rejeitos que permanecem no reservatório e os desafios da reparação. 

Foto: Nane Camargos/ Rosa Fortini

A atividade foi promovida pelo Centro Rosa Fortini e a programação incluiu a apresentação do Congado de Santana do Deserto, manifestação cultural que preserva a história e as tradições do território.

A chegada da lama está na memória

Muitas pessoas atingidas ainda guardam vivas as lembranças daquele 5 de novembro. Para Geraldo Marcelino, conhecido como Ladinho, presidente da Associação dos Faiscadores de Rio Doce, a chegada da lama foi um acontecimento que ninguém imaginava presenciar.

“Eu lembro da data. Falaram numa reportagem que uma barragem tinha se rompido, mas ninguém deu muita importância. Parecia uma coisa distante. No dia seguinte, começou a chegar a lama. Foi uma coisa horrorosa, que a gente nunca imaginou que fosse acontecer. Isso fica de alerta para as autoridades, para que tomem medidas e não aconteça mais”, relembrou.

Destino dos rejeitos e prevenção de novas tragédias

A presença dos rejeitos que ainda estão no fundo do Lago de Candonga também esteve entre os temas abordados durante a atividade. O superintendente do Ibama em Minas Gerais, Júnior dos Santos, explicou que o órgão é responsável pela avaliação sobre o destino desse material.

Ao microfone, o superintendente do Ibama em Minas Gerais, Júnior dos Santos. Foto: Nane Camargos/ Rosa Fortini

“O Ibama vai avaliar com sua equipe multidisciplinar se os rejeitos devem ser deixados, retirados parcialmente ou totalmente. São processos que caminham”, explicou.

A Samarco ainda precisa cumprir uma etapa fundamental: apresentar o plano de trabalho. Em resposta a um questionamento da ATI Rosa Fortini, o Ibama informou recentemente que a empresa ainda não havia cumprido essa obrigação, cujo prazo terminou em 28 de setembro.

O procurador da República Carlos Bruno ressaltou a importância de fortalecer a fiscalização das barragens e as medidas de prevenção para evitar que tragédias como essa voltem a acontecer. Ele também chamou a atenção para a necessidade de garantir condições de trabalho à Agência Nacional de Mineração (ANM).

“Nosso objetivo é prevenção para evitar que essas tragédias ocorram, para uma efetiva fiscalização de barragem e que a ANM faça seu trabalho, tenha orçamento para fazer seu trabalho e que isso nunca mais se repita no Brasil”, afirmou.

Procurador da República Carlos Bruno. Foto: Nane Camargos/ Rosa Fortini

Histórias que permanecem e uma luta coletiva

A programação também incluiu uma caminhada até o ponto mais alto do mirante. Lideranças das pessoas atingidas compartilharam lembranças e experiências de antes do rompimento, resgatando histórias, relações comunitárias e modos de vida transformados pela tragédia.

Estudantes da Escola Estadual Maria Amélia também participaram do encontro, levando cartazes com palavras de ordem e conhecendo de perto a realidade do Lago de Candonga.

Foto: Nane Camargos/ Rosa Fortini

Para encerrar a atividade, os participantes formaram uma grande ciranda e, de mãos dadas, cantaram uma versão adaptada da canção “Essa luta não é minha só, ela é de todos nós”. A música traduz o sentido coletivo da luta por justiça e reparação, reforçando que essa caminhada é construída por muitas vozes e histórias.

Foto: Nane Camargos/ Rosa Fortini

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