Enquanto se organiza o início dos estudos para identificar possíveis áreas contaminadas pelo rompimento da barragem de Fundão, o Lago de Candonga, em Santa Cruz do Escalvado, fica fora das áreas inicialmente previstas para o Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC) no Acordo de Repactuação. O reservatório concentra cerca de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério.
A discussão sobre a situação do Lago de Candonga, porém, não é uma novidade. O alerta surgiu ainda na assinatura do Acordo de Repactuação, e a exclusão do reservatório das áreas que terão monitoramento e gestão imediatos já vem sendo questionada em reuniões anteriores do Conselho Federal de Participação Social (CFPS).
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A questão foi levantada mais uma vez durante a 5ª Reunião Ordinária da Instância Mineira de Participação Social (IMPS), realizada em 27 de agosto, em Ipatinga, que contou com a apresentação da empresa WSP, contratada para realizar os estudos previstos no Anexo 16 do Acordo.

Nesta primeira etapa, os estudos abrangem quatro áreas: Paracatu de Baixo, Barra Longa, Governador Valadares e o reservatório da UHE Aimorés. A WSP vai investigar as condições ambientais desses locais, com coleta e análise de água, solo e sedimentos. O objetivo é identificar possíveis impactos do rompimento e, a partir dos resultados, orientar as medidas necessárias.
Atingido questiona exclusão de Candonga
Durante a apresentação do plano de trabalho da WSP, o representante de Santa Cruz do Escalvado, Rio Doce e Chopotó, Marcos Antônio Martins, questionou a não realização de análises no lago de Candonga e defendeu a inclusão do local nas investigações, considerando a quantidade de rejeitos acumulada no reservatório.
Segundo a explicação apresentada na reunião, o Acordo de Repactuação prevê a gestão de contaminação do Lago Candonga caso os rejeitos não sejam retirados. Os estudos que vão subsidiar a decisão sobre a retirada ou não, no entanto, tem prazo de 2 anos para a realização.
Para Marcos, a investigação não deveria depender dessa decisão. Ele também alertou que uma amostragem limitada pode não representar a realidade das áreas atingidas.
“Vai ter um ponto em que eles vão de Paracatu até Barra Longa e, depois, vão ficar mais de 300 quilômetros sem fazer uma amostragem. Aí não tem uma representatividade . Esse gerenciamento vai estar sem transparência, vai ficar obscuro, essa distância toda (entre os pontos)”, detalha.

Ofício ao Ministério Público
O representante do território na Instância Mineira, está organizando, com o apoio do Centro Rosa Fortini, um ofício para solicitar ao Ministério Público Federal e Estadual, a ampliação da coleta de amostras para o Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC).
A ideia é que todos os territórios atingidos sejam contemplados. A preocupação é que os quatro pontos previstos no Acordo de Repactuação deixam uma grande extensão territorial sem amostragem, o que pode comprometer a representatividade dos dados utilizados nas análises.
Marcos defende que a coleta de amostras seja realizada de forma mais ampla ao longo de toda a Bacia do Rio Doce, contemplando os diferentes territórios:
“A amostragem proposta tem gerado muita preocupação na gente. Acreditamos que tem que ter, no mínimo, algumas amostragens em cada território, na bacia toda”, explica.

Estudos podem ser ampliados
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que o trabalho ainda está no início e que os estudos poderão ser ampliados, caso os resultados indiquem essa necessidade. Também está sendo preparado um plano de comunicação para manter as comunidades informadas e permitir a participação das pessoas atingidas no processo.



