A presença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no território de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Chopotó, na semana passada, foi marcada por dias de vistoria e diálogo direto com as comunidades atingidas.
O trabalho começou na quarta-feira e se estendeu até sexta-feira, 6 de março. Nesse período, técnicos do órgão federal percorrem diferentes pontos considerados críticos na região afetada pelo rompimento da Barragem de Fundão.
Início da vistoria
O primeiro local visitado foi a Fazenda Floresta. A área recebeu rejeito seco retirado do Lago de Candonga após o desastre. A vistoria contou também com a participação de técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da empresa AECOM e de representantes da Samarco.
Durante a visita, moradores e representantes das comunidades apresentaram preocupações aos técnicos. Entre os problemas relatados estão o aterramento de nascentes, a possibilidade de contaminação de poços e mudanças no modo de vida das famílias que vivem na região.

Relatos da comunidade
Depois da vistoria na fazenda, o grupo seguiu para a comunidade Gerônimo, em Santa Cruz do Escalvado. O local abriga rejeito e materiais orgânicos descartados pela Samarco sem o devido licenciamento ambiental, segundo relatos das comunidades.
Durante a visita, moradores apontaram a área para onde mais de 40 caminhões de os rejeitos foram despejados pela Samarco. Eles também relataram medo de utilizar a água e disseram que, desde o desastre, houve aumento de insetos na comunidade.
“Trouxeram o rejeito e depositaram aqui. Ninguém veio nos procurar, ninguém veio nos perguntar, ninguém procurou ou assessorou a gente sobre nossa saúde, sobre a qualidade da água, do solo e se foi feito alguma análise, que segundo foi feito, a comunidade não teve acesso a essa análise e gostaríamos de ter acesso”, relatou Juliana Aparecida Ângelo da Comunidade Gerônimo.
Diante dos relatos, as comissões de pessoas atingidas reforçaram aos técnicos do Ibama a necessidade de respostas e soluções concretas para os problemas enfrentados pelas comunidades.
Vistoria no lago
As atividades seguiram na quinta-feira (5) em diferentes pontos do território. Para ampliar o acompanhamento das áreas, o grupo foi dividido em duas equipes.
Uma equipe percorreu trechos do Rio Doce de barco, enquanto a outra seguiu por terra. As duas visitaram os barramentos A, B e C, estruturas construídas para reter os rejeitos que desceram após o rompimento da barragem de Fundão.

Durante o percurso, as pessoas atingidas também conversaram com os técnicos dos órgãos federais. Elas relembraram como era a vida na região antes da construção da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, em 2003, e antes do desastre de 2015, que mudou a rotina e a relação das comunidades com o território.
Reunião com pessoas atingidas
No período da tarde o órgão federal ainda realizou uma reunião também na quinta com moradores e Comissões de Atingidos do território. O encontro foi realizado no Rio Doce Clube e reuniu cerca de 100 pessoas.
Durante a agenda, moradores e atingidos apresentaram diversas preocupações, principalmente sobre a possibilidade de o rejeito de minério continuar acumulado na área.
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Texto: Mariana Duarte e Aloísio Lopes/ASCOM Rosa Fortini


