Grupo de Mulheres de Rio Doce e de Santa Cruz do Escalvado discutem reparação no território

Lideranças femininas de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado participaram, nos dias 10 e 13 de agosto, respectivamente, de reuniões para discutir o Programa para Mulheres previsto no Acordo de Repactuação e levantar demandas e oportunidades para as mulheres dos territórios. Os encontros aconteceram no escritório da ATI Rosa Fortini, em Rio Doce e em Nova Soberbo.

Programa para Mulheres

Nas reuniões, foram apresentadas informações sobre o andamento do Programa para Mulheres. A proposta deverá contemplar, em uma primeira etapa, mulheres que foram registradas como dependentes no cadastro da Fundação Renova, tinham 16 anos ou mais na época do rompimento e ainda não receberam indenização individual. Também foi informado que outras situações e grupos poderão ser avaliados posteriormente.

A definição dos critérios gerou dúvidas entre as lideranças, principalmente sobre mulheres que podem ficar de fora, como idosas, mulheres que eram menores de 16 anos em 2015 e hoje são adultas, viúvas, dependentes e pessoas que não receberam indenização. As participantes também reforçaram a necessidade de diferenciar o Programa para Mulheres do Anexo 3 e de evitar que informações ainda não confirmadas sejam repassadas às comunidades.

Grupo reunido em Nova Soberbo. Foto: ATI Rosa Fortini

Autonomia feminina e geração de renda

Além do programa, as reuniões buscaram identificar outras possibilidades de fortalecimento da autonomia e da geração de renda. Em Rio Doce, foi proposta a realização de um mapeamento de saberes e talentos femininos, para conhecer as habilidades e experiências das mulheres e identificar oportunidades. Também foram discutidos projetos previstos no Acordo, como o Coopera Mais e os Quintais Produtivos, além da possibilidade de iniciativas voltadas às jovens, como capacitação digital.

As participantes também apresentaram propostas para fortalecer a economia local. Entre elas, esteve a possibilidade de criação de uma cooperativa voltada aos comerciantes do território, com o objetivo de fortalecer os pequenos negócios e contribuir para a geração de renda.

Em Santa Cruz do Escalvado, também foi sugerida a articulação com o Ministério Público para solicitar a inclusão das comunidades tradicionais no recurso destinado ao programa. A proposta é que a ATI Rosa Fortini elabore um documento formalizando essa demanda em nome das mulheres das comunidades tradicionais de faiscadoras, independentemente de terem recebido recursos de outras fontes.

Próximos passos

Ficou definida a continuidade das discussões e o levantamento dos casos e demandas apresentados pelas mulheres, buscando esclarecimentos sobre os critérios do Programa para Mulheres

Reunião do grupo de mulheres em Rio Doce. Foto: ATI Rosa Fortini

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