Cinco pessoas atingidas dos territórios de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado foram escolhidas para representar a região na etapa estadual da Conferência de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário. As titulares eleitas são Silvana Cirino, da Comunidade Jorge, Joviana da Silva, da Comunidade Santana do Deserto, ambas de Rio Doce, e Márcia da Rocha, de Santa Cruz do Escalvado. Também foram eleitos como suplentes José Miguel, de Funil, e Wevânia Ribeiro Corcini, da Comunidade Jorge, em Rio Doce.

A escolha destes representantes ocorreu durante a 2ª Conferência Intermunicipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário. O evento foi realizado pela Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Rio Piranga (AMAPI), no dia 18 de setembro.
Conferência reúne diferentes setores
Realizada no auditório da OAB, em Ponte Nova, a 2ª Conferência Intermunicipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário reuniu agricultores familiares, associações, cooperativas, instituições de ensino, gestores públicos e representantes de diversos setores ligados ao meio rural. A conferência faz parte do processo preparatório para a 3ª Conferência Estadual, prevista para acontecer até dezembro deste ano.

Com participação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o evento contou com a participação de 24 municípios da Microrregião do Vale do Rio Piranga. São eles:
- Região Caparaó/Ponte Nova: Acaiaca, Alvinópolis, Amparo do Serra, Barra Longa, Diogo de Vasconcelos, Dom Silvério, Guaraciaba, Jequeri, Oratórios , Piedade de Ponte Nova, Ponte Nova, Raul Soares, Rio Casca, Rio Doce, Santo Antônio do Grama, São Pedro dos Ferros, Sem Peixe, Urucânia e Vermelho Novo.
- Região Conselheiro Lafaiete/Ouro Preto: Mariana
- Região Mata/Viçosa-Ubá: Canaã, Teixeiras e Viçosa
- Região João Monlevade/Coronel Fabriciano: Dionísio
Temas discutidos
Durante o evento, os participantes discutiram temas considerados centrais para o fortalecimento do meio rural. Entre eles, a produção sustentável, a economia solidária, a formulação de políticas públicas inclusivas e a melhoria da qualidade de vida no campo.
A conferência também funcionou como espaço de diálogo entre sociedade civil e poder público, com o objetivo de construir propostas conjuntas que reflitam as demandas reais do território.
As discussões foram organizadas em cinco eixos temáticos:
- Eixo 1: Papel da agricultura familiar frente às mudanças climáticas;
- Eixo 2: Transformação agropecuária dos sistemas alimentares e fortalecimento da agricultura familiar;
- Eixo 3: Reforma agrária e promoção do direito à terra, à água e ao território;
- Eixo 4: Cidadania e bem viver;
- Eixo 5: Estado, participação popular e governança das políticas públicas para o desenvolvimento rural.
O grupo de pessoas atingidas se organizou para participar de cada eixo, com o objetivo de apresentar suas realidades e contribuir com propostas para o desenvolvimento da região que ainda hoje sofre com dos danos trazidos pelo desastre socioambiental de 2015.

Crédito, água e estradas
Joviana da Silva, moradora de Santana do Deserto, distrito de Rio Doce, destacou a importância do tema do crédito fundiário debatido durante a conferência. Segundo ela, a proposta voltada para jovens que desejam adquirir terras chamou atenção por abrir caminhos para a permanência no campo.
A participante também ressaltou outros pontos considerados urgentes para as comunidades atingidas pelo rompimento da barragem, como a qualidade da água e as condições das estradas rurais. “Há vezes que o pessoal fica sem água. O poço que foi furado lá deu contaminação e não pode mais ser usado. Estamos lutando pela proteção das nascentes e pelo plantio de árvores”, afirmou.
Sobre a infraestrutura, Joviana lembrou que a precariedade das estradas dificulta o escoamento da produção. “Muitas vezes os produtores não conseguem transportar as mercadorias porque as estradas estão em más condições. Precisamos de mais cuidado com essas vias para garantir as entregas”, completou.
Do local do nacional
As propostas aprovadas não se limitarão ao âmbito regional. Elas servirão de base para influenciar políticas públicas em nível nacional e serão levadas ao Governo Federal durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3ª CNDRSS), marcada para ocorrer entre os dias 24 e 27 de março de 2026. O objetivo é reforçar a participação popular, valorizar a agricultura familiar e promover um modelo de desenvolvimento rural mais justo, solidário e ambientalmente responsável.



