Pessoas atingidas de comunidades de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Chopotó, levaram relatos e preocupações sobre saúde, em uma oficina de diálogo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), na noite desta terça-feira (15), no Espaço Múltiplo Uso, em Rio Doce.

Com apoio do Centro Rosa Fortini, a atividade ouviu as comunidades sobre os principais problemas de saúde, as dificuldades de acesso aos serviços e os danos sofridos com o rompimento da barragem de Fundão. As contribuições das comunidades serão consideradas na construção do Plano Estadual para Atenção Integral à Saúde das Populações Atingidas por Desastres Minerários e Residentes em Regiões Mineradoras.
Entre os relatos, foram citados aumentos de ansiedade, depressão, alergias, problemas respiratórios, câncer e febre maculosa, além do uso de álcool e outras drogas. Também houve preocupação com a saúde das crianças e os efeitos da poeira causada pelo trânsito de caminhões.
Água ainda é motivo de insegurança
A qualidade da água apareceu como uma das principais preocupações. Raimundo Ribeiro, da comunidade Santana do Deserto e membro da Comissão de Atingidos(as) de Rio Doce, relatou que moradores aguardam análises da água e demonstraram preocupação com a concentração da lama (vinda do rejeito) nas margens do rio durante as chuvas.
Ronaldo de Souza (Rone), da Comissão de Atingidos(as) de Rio Doce, chamou atenção para a área conhecida como Micaela, onde, segundo ele, há cinco nascentes. Ele também demonstrou preocupação com o uso da água do rio por caminhões-pipa para abastecimento e controle de poeira.
“Nós estamos recebendo essa água diariamente. Em Soberbo, tem um lugar onde eles enchem o caminhão de água para jogar rua a fora”, contou.

Moradores querem ser ouvidos
Os participantes relataram dificuldades para conseguir atendimento, diagnóstico e encaminhamento e defenderam que os profissionais conheçam a realidade das comunidades atingidas. A saúde mental também foi apontada como uma demanda que exige maior estrutura.
Maria da Penha Rocha, da Comissão de Atingidos(as) de Santa Cruz do Escalvado e Chopotó, destacou que muitas pessoas não se sentem ouvidas durante os atendimentos.
Febre maculosa preocupa comunidades
A febre maculosa também é um tema que preocupa. Uma moradora de Porto Plácido, relatou aumento de capivaras na região. Segundo ela, as medidas adotadas, como placas de alerta, são insuficientes.
O Centro Rosa Fortini conversou com o secretário municipal de Saúde de Santa Cruz do Escalvado, Henrique Bortolini Lima. Segundo ele, o município não registrou casos de febre maculosa em 2026 e a Prefeitura tem realizado ações preventivas.

“Este ano, não houve registro de casos de febre maculosa no município. A Prefeitura tem realizado ações de prevenção e acompanhamento por meio dos agentes de combate às endemias, que fazem visitas domiciliares e orientam os moradores”, informou.
Além disso, o secretário indicou o site da Prefeitura como fonte de orientações para a prevenção da febre maculosa. No espaço, estão disponíveis orientações sobre a prevenção da febre maculosa. Em uma publicação anterior, o município informou ter sinalizado áreas de Porto Plácido como locais de atenção devido à presença do carrapato-estrela.
Recursos para colocar o plano em prática
Para Renata Nazareno, membra da Comissão de Atingidos(as) de Santa Cruz do Escalvado e Chopotó, as empresas responsáveis pelos danos também devem contribuir para a execução das ações previstas no plano.
“As mineradoras são responsáveis pelos crimes que aconteceram nas cidades. Então, que elas se responsabilizem em colocar recursos para que o Plano Estadual seja executado”, afirmou.
Contribuições serão consideradas
A representante da Secretaria de Estado de Saúde, Sofia Bastos, confirmou que as contribuições serão consideradas na elaboração do Plano Estadual, que ainda está na fase de diagnóstico. Segundo ela, a iniciativa integra uma política pública voltada ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento de populações atingidas por barragens.
A previsão é de que o plano seja aprovado até o fim do ano.


