Funasa identifica alterações na qualidade da água em municípios atingidos

Análises realizadas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), identificaram alterações em alguns indicadores de qualidade da água na maioria dos municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão.

Os resultados foram apresentados na 7ª Reunião do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba, realizada entre os dias 9 e 11 de setembro, em Mariana e Ouro Preto.

Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

Entre os locais onde a Funasa está fazendo as análises estão os sistemas de abastecimento de água (SAAs) das comunidades de Santana e Marimbondo, em Rio Doce, e Zito Soares e Merengo, em Santa Cruz do Escalvado.

Análises identificam bactérias e outras alterações

Na coleta realizada em maio de 2026, foram encontrados coliformes totais (CT) na água do SAA Merengo. A presença dessas bactérias pode indicar alguma alteração na qualidade da água. Na coleta seguinte, realizada em junho, também foi encontrada E. coli, uma bactéria que pode indicar contaminação de origem fecal.

Também na segunda coleta, foi encontrado nitrito na água do SAA Santana, em Rio Doce, e do SAA Zito Soares, em Santa Cruz do Escalvado. Nos sistemas de Marimbondo e Merengo, não houve alteração para esse item. O nitrito é uma substância que pode estar presente na água. Ele pode chegar aos cursos da água por diferentes fontes, como fertilizantes, esgoto e dejetos de animais. Quando aparece em quantidade acima do permitido, pode representar um risco à saúde.

Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

A análise também verificou características da água, como cor, cheiro e gosto. Nesse caso, foi identificada a presença de ferro no SAA Zito Soares. Segundo a Funasa, alterações desse tipo não significam necessariamente um risco direto para a saúde, mas devem ser acompanhadas.

Segundo o Ministério da Saúde, os resultados das análises serão enviados para o Estado e Municípios, que têm a responsabilidade legal de cuidar da qualidade da água para consumo humano.

Comunidades cobram informações seguras

Para Maria da Penha Rocha, moradora de Porto Plácido (Santa Cruz do Escalvado), conselheira federal e membra da Comissão Temática de Saúde, os resultados reforçam uma preocupação antiga das comunidades sobre ter acesso a informações seguras sobre a água do território.

“Na minha comunidade, a gente não usa a água do Rio Doce. Mas a comunidade do Merengo usa. A nossa preocupação é que ainda não temos laudos definitivos, concretos, que permitam informar a população sobre a qualidade da água e os cuidados que devem ser tomados”, disse.

Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

Resultado não indica contaminação de toda a água

Segundo a Funasa, a presença dessas substâncias, no entanto, não significa, por si só, que toda a água do município esteja contaminada. O monitoramento analisa pontos específicos e diferentes tipos de abastecimento, como redes públicas, poços e outras soluções alternativas.

Nas duas primeiras análises, foram avaliados 109 pontos em 27 municípios. A próxima análise está prevista para ocorrer entre 21 de setembro e 2 de outubro.

Monitoramento contínuo ajuda a entender a água

Durante a apresentação das análises aos conselheiros federais, o representante da Funasa explicou que os resultados representam uma “fotografia” da qualidade da água no momento em que a amostra foi coletada. Ou seja, uma alteração identificada em uma coleta isolada não é suficiente para concluir que existe uma contaminação permanente.

Foto: Nane Camargos/ Ascom Rosa Fortini

Como confirmar uma contaminação?

Segundo a Funasa, é preciso acompanhar a qualidade da água por um período maior para saber se uma alteração é passageira ou se continua acontecendo. Assim, a Funasa poderá reunir informações suficientes para avaliar com mais segurança a situação da água e verificar se existe uma alteração persistente.

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